COE CONTEC-Bradesco debate remuneração, saúde, reestruturação e condições de trabalho em reunião com o banco

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) da CONTEC no Bradesco realizou, na última sexta-feira (27), reunião por videoconferência com a gerente do Departamento de Recursos Humanos do banco, Silvia Eduara Cavalheiro. O encontro foi conduzido pelo coordenador da COE/CONTEC-Bradesco, Gladir Basso, e pelo secretário da comissão e secretário-geral do Sindicato, Breno Ferreira de Souza. Eli Faleiros, diretor do Sindicato, também participou da reunião.
Durante a reunião, foram discutidos diversos temas relacionados às condições de trabalho, remuneração, saúde e reestruturações em curso no banco, com ampla participação dos representantes do movimento sindical, que apresentaram dúvidas, críticas e sugestões ao longo do debate.
O banco iniciou a reunião com a apresentação dos modelos de remuneração variável, ressaltando que a exposição tratava da forma de recompensa e não da definição de metas. Diante dos questionamentos sobre possíveis alterações de regras ao longo do período, a representação do banco afirmou que as metas seguem um processo próprio de definição e distribuição, já estruturado anteriormente, e que o modelo apresentado busca reconhecer o desempenho a partir do atingimento, inclusive permitindo remuneração a partir de níveis inferiores a 100% da meta, a depender da estrutura.
Representantes sindicais reforçaram a preocupação com mudanças de critérios no decorrer do ciclo, destacando a necessidade de previsibilidade e transparência. Em resposta, o banco afirmou que os indicadores são tangíveis e alinhados aos resultados, ressaltando que o objetivo do modelo é ampliar o reconhecimento e tornar o pagamento mais efetivo, evitando cenários em que poucos trabalhadores sejam contemplados.
Durante a reunião, também foi apresentado um avanço em relação à licença maternidade. O banco informou que passará a considerar o desempenho da trabalhadora no período efetivamente trabalhado para projetar o pagamento da remuneração variável durante o afastamento. Foi esclarecido que esse cálculo utilizará a performance obtida antes da licença, limitada a 100% do atingimento. A medida foi reconhecida pelos representantes sindicais como um avanço importante.
Outro ponto levantado pelo movimento sindical foi a necessidade de inclusão de funções como assistentes nos programas de remuneração variável. Em resposta, o banco afirmou que esses trabalhadores já são contemplados por outras formas de remuneração, como a participação nos lucros e resultados e o PRB, além de destacar que a estrutura atual também está relacionada a critérios de mercado e à lógica de progressão na carreira.
A COE também trouxe relatos de inconsistências operacionais, como casos em que a pontuação de produção digital não estaria sendo corretamente atribuída. O banco solicitou o envio de evidências para apuração, afirmando que a orientação institucional permanece válida e que eventuais falhas devem ser corrigidas pontualmente.
Outro tema abordado foi a existência de divergências salariais entre gerentes assistentes da plataforma Empresas. Representantes relataram diferenças de remuneração entre profissionais com funções semelhantes, inclusive com certificações equivalentes. O banco informou que já havia recebido demandas sobre o tema e que realizará um levantamento interno para analisar as situações apontadas e apresentar retorno às entidades.
Em relação à área de saúde, foi esclarecido que a recente reorganização do segmento, com a consolidação das operações sob uma mesma estrutura, tem caráter exclusivamente societário e administrativo. Segundo o banco, a mudança busca aumentar a eficiência e integrar os serviços, não havendo, neste momento, impacto direto nos benefícios oferecidos aos empregados. Ainda assim, o movimento sindical reforçou a necessidade de melhorias na rede credenciada e no atendimento, tema que continuará sendo acompanhado.
A preocupação com o fechamento de agências e o desligamento de funcionários também esteve presente no debate. Representantes sindicais relataram insegurança entre os trabalhadores, aumento da sobrecarga nas unidades remanescentes e impactos na organização do trabalho, especialmente com a redistribuição de clientes entre agências. Em resposta, o banco afirmou que o processo faz parte de uma reorganização estrutural e destacou que a instituição mantém um quadro amplo de empregados, com admissões ocorrendo paralelamente às mudanças.
Sobre a redistribuição de carteiras em casos de afastamento, como licença maternidade, o banco esclareceu que a responsabilidade pelos clientes é assumida pela gestão da unidade, podendo haver redistribuição entre os profissionais, sem alteração da estrutura formal de cargos. Foi ressaltado ainda que eventuais distorções na prática devem ser reportadas para apuração.
Ao final da reunião, ficou definido que o banco elaborará material explicativo consolidado sobre os modelos apresentados, com linguagem mais acessível, para subsidiar o diálogo com os trabalhadores. Também foi acordado que a comunicação sobre os temas em negociação será realizada de forma conjunta entre o banco e as entidades sindicais.
Após o encerramento da reunião, a COE tomou conhecimento de relatos envolvendo a implementação do Acordo Individual de Compensação de Horas no banco. Diante das informações recebidas, o coordenador da comissão encaminhou imediatamente manifestação formal à representante do banco, solicitando esclarecimentos sobre o tema, pois embora o banco tenha informado que a adesão seria voluntária, os relatos indicam pressões indiretas para a assinatura, o que gera preocupação quanto à efetiva liberdade de escolha dos empregados. “Reiteramos que a compensação de jornada deve ser uma opção transparente e livre, jamais uma obrigação” afirmou Gladir Basso. Sobre este assunto estamos aguardando um retorno do banco.
A CONTEC e a COE seguem acompanhando os desdobramentos e reforçam a importância do diálogo permanente para a construção de soluções que atendam às demandas da categoria.
Fonte: ASCOM Contec
