Mesa Permanente CONTEC/Caixa debate prevenção à violência contra a mulher e cobra fortalecimento dos canais de acolhimento

Na manhã da última segunda-feira (31/03), foi realizada mais uma reunião da Mesa de Negociação Permanente entre a CONTEC e a Caixa, com pauta dedicada à prevenção à violência contra a mulher.

Na abertura dos trabalhos, a representação da Caixa destacou a relevância e a urgência do tema, reconhecendo que o enfrentamento à violência contra a mulher exige atenção permanente, empatia e envolvimento de toda a sociedade. Em seguida, o banco apresentou o programa Acolhe, canal específico de apoio às empregadas em situação de violência doméstica e familiar.

Segundo a apresentação da empresa, o programa foi implementado em 2021 e é voltado tanto às empregadas em situação de violência quanto a colegas que desejem buscar orientação sobre como agir ao identificarem possíveis casos envolvendo outras trabalhadoras. O atendimento pode ser acionado por telefone, pelo canal interno de atendimento a pessoas e pelo Sou Caixa (Web).

A Caixa informou que o programa é estruturado com base em princípios como escuta empática, atendimento humanizado, sigilo e atuação de equipe multidisciplinar, com acolhedoras distribuídas nacionalmente nas GIPES e REP’s. O fluxo apresentado envolve acolhimento inicial, escuta qualificada, eventual pactuação com a gestão da unidade e acompanhamento por profissionais especializados, com possibilidade de adoção de medidas de apoio, como ajuste de jornada, modelo de trabalho diferenciado e transferência de unidade, conforme a necessidade do caso concreto.

Durante a exposição, o banco também apresentou dados referentes a 2025, informando que o canal registrou 102 acionamentos, dos quais 25 resultaram em adesão à jornada do Acolhe e 12 culminaram na aplicação de medidas protetivas.

Além do Acolhe, a empresa destacou o programa de Saúde Emocional, que oferece acompanhamento psicológico e psiquiátrico, bem como suporte de urgência 24 horas por dia, sete dias por semana.

Após a apresentação, os representantes do movimento sindical fizeram diversas ponderações, sugestões e cobranças, destacando que o tema exige não apenas a existência formal de canais, mas também efetividade, divulgação ampla, protocolos claros e acolhimento concreto às empregadas.
Entre os pontos levantados, houve preocupação com a forma como foi apresentada a participação do gestor no fluxo do programa. A representação da Caixa esclareceu que não se trata de autorização do gestor, mas de comunicação e pactuação sobre os procedimentos a serem adotados, inclusive com compromisso de confidencialidade e proteção à empregada atendida.

As entidades também chamaram atenção para a necessidade de ampliar a divulgação dos canais disponíveis, inclusive com comunicação mais acessível e direta, já que muitas trabalhadoras ainda desconhecem o funcionamento do programa ou não sabem exatamente quais providências são adotadas após o acionamento.

Outro ponto fortemente destacado na reunião foi a importância de envolver os homens da empresa nas ações de prevenção, formação e conscientização. A representação da CONTEC ressaltou que o enfrentamento à violência contra a mulher também exige mudança de cultura, reflexão sobre comportamentos machistas e participação efetiva dos homens nesse processo. Em resposta, a Caixa informou que já desenvolve estudos para estruturar ações específicas voltadas a esse público.

Durante o debate, também foram registradas manifestações sobre situações de assédio moral, assédio sexual, discriminação e violências silenciosas no ambiente de trabalho, com relatos sobre dificuldades enfrentadas por mulheres em razão de práticas naturalizadas, interrupções constantes, deslegitimação de falas, rotulações e impactos na trajetória profissional.

As representações sindicais defenderam que o acolhimento não pode se limitar ao atendimento inicial, mas deve ser acompanhado de medidas tempestivas e protetivas, especialmente quando houver denúncia formal, fragilidade emocional da empregada ou necessidade de afastamento do ambiente em que ocorreu a violência. Também foram apresentadas sugestões de aperfeiçoamento dos fluxos internos, maior integração entre áreas responsáveis e capacitação mais efetiva das lideranças para lidar com o tema.

A CONTEC reiterou sua disposição de contribuir com a divulgação dos canais, com o debate institucional e com o aprimoramento das políticas de proteção às mulheres na empresa, defendendo que o combate à violência exige ações permanentes, formação adequada das lideranças e mecanismos eficazes de acolhimento, proteção e encaminhamento.

A Confederação seguirá acompanhando o tema nas mesas permanentes, cobrando que os instrumentos apresentados pela empresa se traduzam em proteção real, acesso facilitado e respostas efetivas às empregadas da Caixa.

Fonte: ASCOM CONTEC