Após cobranças do Sindicatos, Santander suspende termo de hipersuficiência

Após reivindicação do movimento sindical, o Santander suspendeu a aplicação dos chamados acordos de hipersuficiência encaminhados, nas últimas semanas, a funcionários com ensino superior e salários acima de dois tetos do INSS.
A medida esteve entre as prioridades tratadas na reunião entre integrantes da Comissão de Organização dos Empregados (COE) e a direção do banco, realizada na última quarta-feira (13).
Para o Sindicato, a iniciativa poderia retirar direitos históricos da categoria bancária e enfraquecer a negociação coletiva.
“O banco Santander enviou a funcionários considerados ‘hipersuficientes’ um termo de ‘atualização do Contrato de Trabalho’, sem negociação coletiva prévia, prevendo mudanças como o fim do controle de jornada e a exclusão do pagamento de horas extras. Foram os próprios bancários que denunciaram a prática”, explica Patrícia Bassanin, representante da Feeb SP/MS, na COE Santander.
“Além disso, quando aplica esse termo de hipersuficiência, o banco segmenta os funcionários. E o que isso significa? Que aquele grupo não precisaria de representação sindical. Jamais iremos concordar com isso.”, explica.
A representação lembra ainda que tal prática ainda descumpre acordo firmado entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, que proíbe esse tipo de iniciativa, mesmo ela sendo autorizada pela reforma trabalhista de 2017. “A negociação individual entre empregado e empregador é desigual e não substitui a proteção sindical. Os trabalhadores não devem assinar o termo e devem denunciar ao sindicato qualquer tipo de pressão”, afirmou a dirigente.
Outros temas
A reunião da COE também abordou outros pontos importantes sobre o cenário nacional do Santander e os impactos nas condições de trabalho, incluindo o fechamento de agências e postos de atendimento.
As demonstrações financeiras do próprio banco indicam o encerramento de 575 unidades entre agências e pontos de atendimento em 2025, uma redução de 26%. Somente no primeiro trimestre de 2026, foram fechadas 63 unidades.
“Esse movimento não só traz sobrecarga e adoecimento para os trabalhadores que permanecem, como também prejudica os clientes, com atendimento precário, filas e demora em muitas agências. O banco tenta argumentar que a migração para o digital justifica esse cenário, mas sabemos que a tecnologia não pode servir para demissões e o desmonte do atendimento”, afirmou Patrícia.
Segundo a dirigente, durante a reunião o banco informou que a maior parte dos fechamentos já foi realizada e que novos encerramentos deverão ser pontuais. O Santander também se comprometeu a monitorar agências com maior fluxo de atendimento e apresentar uma devolutiva sobre a necessidade de novas mudanças.
Programa Conduta Certa
O modelo de gestão também foi alvo de críticas. Dirigentes sindicais cobraram transparência sobre o Programa Conduta Certa e quais os impactos da iniciativa na remuneração variável dos funcionários. O banco informou que fará uma apresentação específica sobre o tema no próximo dia 20.
O Santander também reafirmou o compromisso de suspender a aplicação dos acordos de hipersuficiência até a conclusão de uma análise jurídica sobre o processo.
Fonte: Sindicato dos Bancários de Campinas
