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Encontro Sindical retoma pauta de reivindicações dos bancários em São Paulo

O 52º Encontro Nacional de Dirigentes Sindicais retomou, nesta sexta-feira, 19, em São Paulo, os debates sobre a pauta de reivindicações da Campanha Salarial dos Bancários de 2026. A programação começou com a continuidade das discussões estratégicas que devem orientar a minuta a ser apresentada aos bancos na próxima quarta-feira, 24. A minuta reúne pontos econômicos, sociais e trabalhistas considerados prioritários para a categoria. Segundo o secretário-geral da CONTEC, Davi Zaia, a construção do texto tem como base a atual Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários, que reúne centenas de cláusulas. A partir dela, os dirigentes analisam quais pontos devem ser mantidos, atualizados ou ampliados.

“Nós temos uma convenção coletiva que tem mais de 100 cláusulas e agora estamos na fase de elaborar a minuta. Ela parte dessa convenção que a gente já tem e acrescenta outras reivindicações identificadas como demandas importantes dos bancários”, disse.

Entre os principais pontos já definidos está a proposta de reajuste salarial. A reivindicação aprovada pelos dirigentes prevê a reposição pelo INPC acumulado no período de um ano, além de 5% de aumento real.

“A mais importante que a gente já definiu no dia de ontem é que a nossa reivindicação de reposição salarial será o INPC do período de um ano, que foi quando a gente teve o último reajuste, mais 5% de aumento real”, afirmou Zaia.

Outro ponto central da minuta é a defesa de um novo piso salarial para os bancários. A proposta estabelece o valor com base em referência calculada pelo Dieese.

“Também definimos que o piso da categoria deveria ser R$ 7.999, que é o piso estabelecido pelo Dieese como um valor mínimo para cumprir a Constituição de uma pessoa, uma família que possa ter todos os seus direitos respeitados”, declarou o secretário-geral.

Além do reajuste e do piso, a minuta avança sobre benefícios que impactam diretamente a rotina da categoria, como vale-refeição, cesta alimentação e auxílio-creche. Esses pontos integram o bloco das chamadas cláusulas econômicas, considerado um dos eixos centrais da negociação. A discussão também alcança temas ligados à organização do trabalho dentro dos bancos. Entre eles estão as gratificações de função e as regras sobre jornada. De acordo com Zaia, a posição em debate é restringir a realização de horas extras. A proposta defendida pelos dirigentes é que as horas extras não sejam uma prática regular. Nos casos excepcionais, a reivindicação é que o trabalho adicional seja remunerado com acréscimo de 100%.

Nesta sexta-feira, o encontro seguiu com a análise das demais reivindicações, especialmente aquelas relacionadas à saúde dos trabalhadores. A conclusão da minuta marca uma das etapas mais importantes da Campanha Salarial 2026. O documento consolida as prioridades da categoria e serve como ponto de partida para as negociações com os bancos.

O 52º Encontro Nacional dos Bancários da CONTEC terminou com a aprovação da minuta de reivindicações da categoria para a campanha salarial de 2026. O documento será entregue aos banqueiros no próximo dia 24 de junho e marca o início formal do processo de negociação coletiva. Os diretores do Sindicato Rogério Marques e Aguinaldo Bernabé participarão da entrega da pauta aos banqueiros.

A pauta inclui reajuste salarial com reposição da inflação e aumento real, valorização da Participação nos Lucros e Resultados, preservação dos empregos, combate ao fechamento de agências, controle das metas abusivas, atenção à saúde mental e requalificação profissional dos bancários diante das mudanças tecnológicas no setor financeiro.

Segundo o secretário-geral da Contec, Davi Zaia, a expectativa da categoria é avançar em novas conquistas sem abrir mão dos direitos já garantidos na atual convenção coletiva.

“Nossa expectativa é que a gente possa conseguir aumentar as cláusulas econômicas, ampliar as conquistas e, acima de tudo, ter uma nova convenção coletiva que preserve aquilo que a gente já tem. Também precisamos fazer adequações a essa nova realidade que os bancários estão vivendo, principalmente nas questões de saúde, das cobranças e da garantia do emprego”, disse.

A saúde dos trabalhadores aparece como um dos pontos centrais da campanha. A preocupação, segundo o dirigente, passa pelas questões psicossociais, agora também tratadas como exigência da NR-1. A cobrança é para que os bancos adotem programas claros de preservação da saúde, e não apenas medidas voltadas ao tratamento de doenças já instaladas.

“Na questão da saúde, há uma preocupação de acompanhar principalmente as questões psicossociais. Agora é uma exigência da NR-1 que os bancos implantem claramente programas de preservação da saúde, não só de tratamento da doença, mas de preservação da saúde”, declarou.

O controle das metas também entrou no centro da discussão. Para a CONTEC, a pressão excessiva sobre os trabalhadores está entre os principais fatores de adoecimento da categoria. Outro ponto destacado foi a requalificação profissional. O setor bancário passa por mudanças aceleradas, com avanço da inteligência artificial, digitalização dos serviços e fechamento de agências. Para o dirigente, os bancos precisam assumir responsabilidade na preparação dos trabalhadores para novas funções.

“Nós sabemos que o sistema está passando por imensas transformações, inclusive com a inteligência artificial. Mas é preciso oferecer oportunidade de requalificação. Empregos vão continuar existindo. As pessoas não necessariamente vão fazer aquilo que fazem hoje, mas vão fazer outras atividades”, afirmou.

Zaia também cobrou atenção ao fechamento de agências e à sobrecarga das unidades que permanecem em funcionamento. Com a minuta aprovada, a CONTEC agora orienta os sindicatos nos estados a realizarem assembleias, apresentarem a pauta aos trabalhadores e ampliarem a mobilização da categoria.

Com informações de Paulo Melo – CONTEC