Fenaban apresenta duas propostas abaixo da inflação; bancários rejeitam e cobram aumento real

Após dez rodadas de negociação na Campanha Nacional dos Bancários 2026, a Fenaban apresentou, nesta terça-feira (25), as primeiras propostas de reajuste para a categoria. Os dois índices colocados na mesa, inicialmente 2,06% e, posteriormente, 2,57%, foram rejeitados pelas representações dos trabalhadores por ficarem abaixo da inflação e representarem perda real nos salários.
A Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Feeb SP/MS) participou das duas mesas de negociação. No Comando Nacional dos Bancários, a Federação foi representada pelo secretário-geral, Reginaldo Breda. Na mesa da CONTEC, pelo presidente da Feeb SP/MS e secretário-geral da Confederação, David Zaia.
Primeira proposta prevê reajuste de 2,06%
No primeiro momento da negociação, a Fenaban apresentou reajuste de 2,06% sobre salários e demais verbas, equivalente a 50% da inflação e representando perda real de 1,99%.
A proposta também previa o congelamento da PLR e do piso de ingresso, além da exclusão da verba de requalificação profissional, da gratificação de compensador de cheque e da ajuda de deslocamento noturno. Os bancos propuseram ainda o fim da indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto e do auxílio-funeral, além da retirada da multa em caso de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
A proposta foi rechaçada pelas representações dos trabalhadores e a negociação entrou em pausa.
Para Reginaldo Breda, o índice apresentado não condiz com os resultados do setor nem com as reivindicações construídas pela categoria.
“Depois de dez rodadas de negociação, a categoria espera uma proposta que reconheça efetivamente o trabalho dos bancários e bancárias. Não podemos aceitar um índice que represente perda real e, ao mesmo tempo, venha acompanhado da retirada de direitos. Os bancos precisam avançar e apresentar uma proposta que dialogue com aquilo que os trabalhadores reivindicam”, afirma Breda.
Fenaban aumenta índice para 2,57%, mas proposta continua abaixo da inflação
Na retomada da mesa, a Fenaban apresentou uma segunda proposta, elevando o reajuste para 2,57% sobre os salários, equivalente a 62% da inflação. Apesar da alteração, o percentual ainda representa perda real de 1,50% e foi novamente rejeitado.
A segunda proposta manteve o congelamento da PLR e do piso de ingresso e a exclusão da gratificação de compensador de cheque e da ajuda de deslocamento noturno.
Para o auxílio-creche/babá, auxílio destinado a pais com filhos com deficiência e ajuda de custo para o teletrabalho, a Fenaban propôs reajuste de 2,57%.
Após a pressão das representações dos trabalhadores, os bancos recuaram em dois pontos apresentados inicialmente: a verba destinada à requalificação profissional foi mantida, com reajuste de 2,57%, assim como a multa prevista em caso de descumprimento da CCT.
Ainda assim, a avaliação das representações sindicais foi de que a proposta permanece muito distante das reivindicações da categoria, que tem como uma das principais prioridades o reajuste com aumento real.
Índice estaria entre os piores reajustes de 2026
Os dados apresentados durante as negociações reforçam a distância entre a proposta dos bancos e os acordos salariais firmados por outras categorias.
O reajuste de 2,57% proposto pela Fenaban estaria entre os 0,46% piores reajustes negociados em 2026. Isso significa que 99,54% das negociações salariais realizadas até agora garantiram índices superiores ao oferecido aos bancários.
A proposta também chama atenção diante dos resultados do setor financeiro. Segundo dados apresentados na negociação, o índice teria impacto equivalente a apenas 0,9% do lucro do setor bancário, que alcançou R$ 182 bilhões em 2025.
Para David Zaia, os resultados demonstram que os bancos têm condições de atender às reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.
“Os bancos têm resultados que permitem atender às reivindicações da categoria. Não há justificativa para apresentar, depois de dez rodadas, índices que sequer repõem a inflação. Queremos reposição integral, aumento real e valorização dos direitos. A negociação continua e a mobilização dos bancários e bancárias será fundamental para avançarmos”, destaca Zaia.
A categoria reivindica, além da reposição integral da inflação e aumento real, valorização dos pisos salariais, do vale-alimentação (VA), vale-refeição (VR) e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além da manutenção e ampliação dos direitos previstos na Convenção Coletiva.
Requalificação e proteção ao emprego
A rodada desta terça-feira também avançou na discussão sobre emprego. Diante do elevado número de desligamentos no setor bancário, as representações dos trabalhadores defendem medidas que ampliem a proteção aos empregados e deem suporte aos profissionais desligados.
Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o setor bancário registrou mais de 37,5 mil desligamentos.
A pressão dos trabalhadores resultou no início da construção conjunta de uma proposta voltada à requalificação e recolocação no mercado de trabalho dos bancários desligados, tema que continuará sendo acompanhado nas negociações.
Negociação será retomada nesta quarta-feira
A rodada desta terça-feira terminou sem acordo. As negociações com a Fenaban serão retomadas nesta quarta-feira (26), com a expectativa de apresentação de uma proposta que avance nos índices econômicos e atenda às principais reivindicações dos trabalhadores.
A orientação é para que a categoria permaneça mobilizada e acompanhe os canais oficiais da Federação e dos sindicatos.
Fonte: Federação dos Bancários de SP e MS

