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Banco do Brasil resiste a avanços em cláusulas sociais

O Banco do Brasil sinalizou resistência à maior parte das reivindicações apresentadas pela CONTEC em cláusulas sociais do acordo coletivo. A rodada da mesa específica ocorreu nesta sexta-feira (17), na GEPES São Paulo, como parte da Campanha Nacional dos Bancários 2026. A pauta tratou das licenças, ausências, igualdade de oportunidades, proteção às mulheres, apoio a trabalhadores com filhos com deficiência ou transtornos de alta dependência e acessibilidade. A saúde mental dos gestores diante da política de descomissionamentos também ocupou parte central do debate. Rogério Marques, diretor do Sindicato, participou da reunião.

Em temas como acumulação dos cinco dias de abono anual, licença por falecimento de familiares e idade para acompanhamento de filhos, o banco defendeu a manutenção das regras atuais. A CONTEC também reivindicou tratamento mais igualitário na concessão de abonos e melhorias nas licenças maternidade, paternidade e parental. O Banco do Brasil vai avaliar a criação de um aviso automático para lembrar as funcionárias sobre o prazo de solicitação da prorrogação da licença-maternidade. Também ficaram pendentes de análise a concessão de abono para provas de certificação e concursos realizados em outras cidades. A representação dos trabalhadores propôs ainda que a contagem da licença-paternidade ocorra a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido, nos mesmos moldes já aplicados à licença-maternidade.

Nos debates sobre inclusão, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito defendeu que a redução de jornada e o auxílio destinado a filhos com deficiência também contemplem expressamente transtornos que geram alta dependência, mesmo quando não classificados formalmente como deficiência. O banco verificará se casos relacionados a autismo e TDAH já estão abrangidos pelas normas internas.

Em relação à igualdade de oportunidades, o BB informou que adotou reserva de 70% das vagas para mulheres em um programa voltado a gerentes regionais. O banco também passou a exigir que pelo menos 30% dos classificados em determinados processos de nomeação sejam mulheres ou pessoas pretas e pardas.

A maior preocupação apresentada pela CONTEC envolve os descomissionamentos por não atingimento de metas. A representação relatou cobranças excessivas e casos de ansiedade e síndrome do pânico entre gestores. A entidade pediu a suspensão temporária dos descomissionamentos e a construção de alternativas não punitivas. Também argumentou que fatores externos, como a inadimplência no agronegócio, afetam o desempenho das unidades e não podem ser atribuídos exclusivamente aos gestores.

“Não estamos discutindo privilégios, mas medidas concretas de proteção aos trabalhadores e às famílias. O banco precisa considerar situações que ainda não estão plenamente contempladas no acordo e rever uma política de descomissionamentos que responsabiliza o gestor até mesmo por fatores que estão fora de seu controle”, afirmou o coordenador da Comissão de Negociação com o Banco do Brasil, Gilberto Vieira.

Por Paulo Melo – CONTEC